PROFESSOR DALMO: RUMO À PRÓXIMA ESTAÇÃO AMIZADE

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"Silvio, amigo, ouvidor e provedor múltiplo, e parceiro de Estação Amizade. Grande honra e gratidão por ter trabalhado com a Cida, Carmem e Elizeti. Márcio, Naomi, Carlos, Jaqueline, Aline e os mais novos. Roberto e Anjos da Secretaria. As Divertidas e Perigosas da limpeza: Dalmoooo! Grande Equipe Espiritual: proteção em todos os sentidos. Lucas, testemunha e apoio desse ato final no Pinho. Alce Boy, parceiraço de Estação Amizade. Rodrigo, Cleber, Soraia, Edgard, Cido, Vitória, Oswaldo e todos os mais novos: por demais, queridos! Se esqueci de alguém, com certeza são Farol Verde. Abraços e sempre à disposição!"

Comunicado encaminhado pelo professor Dalmo Duque à gestão escolar, com expressão de gratidão e reconhecimento à comunidade escolar da Escola Estadual Margarida Pinho Rodrigues, à ocasião de sua aposentadoria, sob gozo desde o dia 24/7, no cargo de professor efetivo da rede estadual de ensino de São Paulo (SEDUC/SP), passadas duas décadas completas de docência em temporalidade e espacialidade na citada comunidade escolar. Aprovado no Concurso de 1999, foi nomeado ao cargo no ano letivo seguinte, sob atribuição à função de docências nas aulas de História em Escola Estadual da cidade de Narbal Fontes, região de Santana/SP. Em 2006, com deferimento de transferência à Diretoria Regional de Ensino de São Vicente, foi-lhe atribuídas aulas na, então, sede de sua aposentadoria. Em nível socioprofissional, é inegável que o alcance de sua presença plural, ação pedagógica e educação cidadã adentrou a fronteira do reconhecimento dessas marcas de seu profissionalismo que, como arqueologia pedagógica, de certo, assistiu eficazmente três gerações. Se fizer audição o relato sobre o aposentado ter sido professor do avô, é possível que não seja apenas exagero de devoção estudantil à fama do docente que lhe inspira.

Portanto, não seria sem motivo que o diretor Silvio Bispo fizesse uso do comunicado à ciência da comunidade dos docentes e gestores do Pinho à devida homenagem ao aposentado. No entanto, o gestor escolar ultrapassa a fronteira da formalidade requerida à pessoalidade sentida. Ele informa e, também, conforma as recordações e emoções, como segue:

"A declaração acima e do professor Dalmo, que hoje inicia sua aposentadoria. Quero agradecer por todos os momentos incríveis que tivemos nessa convivência de muitos anos. Que você continue sua jornada educativa tanto no aspecto cognitivo como no espiritual, tendo em vista que a espiritualidade está muito presente no seu caminho e em sua missão de expandir o conhecimento da sociedade e eles lhe preparam para essa tarefa. Aproveite a sua aposentadoria para viver momentos que lhe fazem feliz. Muitas bençãos e gratidão por tudo!'

Da Estação do presente-do-passado

Natural de Porto Tibiriça, à época, vila do interior paulista, com mestrado em Comunicação Mediática pela Universidade Paulista (2002), bacharelado e licenciatura em História pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (1991) e licenciatura em Pedagogia pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Presidente Venceslau (1996), é admirável escritor com extensa rotina de escrita e pensador arquiteto de estilos e obras, que formam sua própria arquitetura literária. Apesar de anos experienciados em horas diárias dedicadas à leitura e escrita, é inspirador conhecer alguém que me exige mais folego nessa caminhada, caso proponha o coração, ao alcance de tal atitude e altitude. Seus educandos e colegas de profissão talvez não dimensionem que, com postura reservada, jeito tranquilo, simplicidade espontânea, timidez socializada e presença desapercebida pelo anonimato de devido destaque, um historiador com enorme fluência histórica sobre a região do litoral paulista, como se observa em conversa publicada no Canal do Tom O mago, exerceu prolongada atividade docente em nossa comunidade escolar e a serviu de parâmetro de qualidade de ensino. Não por acaso, empreendeu várias caminhadas guiadas com a alunos do Pinho, com objetivo de os conduzir através da cidade moderna à geografia histórica de São Vicente: desde a sede da Escola à Igreja Matriz, passando pela Casa Martim Afonso até o marco do Porto das Naus, após a Ponte Pênsil, no Bairro Japuí. Também, motivo de figurar como membro-fundador do Instituto Histórico e Geográfico de Praia Grande (IHGPG) em 2021 e membro do Conselho editorial da Revista Mare Nostrum do referido instituto, publicada em 2025.

Com experiência profissional em jornalismo, parece que esse gosto inicial o perseguiu no exercício da profissão de docente-historiador. O caráter investigativo de pesquisas históricas e a seriedade no tratamento dos fatos, são marcas que legaram o reconhecimento de referência historiográfica, com a publicação de seu livro Nova História do Espiritismo - Dos Precursores de Kardec a Chico Xavier (2010), no qual apresenta uma nova abordagem sobre o espiritismo e do movimento espírita, após 80 anos da última obra clássica lançada no Brasil (1926). No livro, através de pesquisa e reflexão, fatos e personagens são inseridos em seus devidos contextos, à superação do equívoco histórico, com expressão mesmo entre autores ingleses e norte-americanos, relacionado a ausência de distinção conceitual e prático entre espiritualismo e espiritismo.

SANTOS, Dalmo Duque dos. Nova História do Espiritismo - Dos Precursores de Kardec a Chico Xavier. Limeira/SP: Editora do Conhecimento, 2010. 584 p.

Em sua arquitetura literária, o professor Dalmo Duque parecia fadado à divulgação da história do espiritismo, a qual foi informado como sua missão, juntamente com atuação na prevenção do suicídio, segundo dá ciência em entrevista concedida ao Canal Encantada Oficial. Inevitavelmente, como lado da mesma moeda, à medida de seu nível de conhecimento histórico do espiritismo tem por culminância a produção literária espiritualista, consequência de sua busca à superação das cristalizações de certas concepções sistematizadas como referência à crença espírita no Brasil, mas alheias ao próprio crivo do ensino de Alan Kardec. O lançamento do livro "Protótipos Humanos" (2013) parecia indicá-lo como o mais novo representante dessa filosofia. Portanto, não diz respeito somente ao estilo autoral, o que extrairia a possibilidade do envolvimento de dimensões em níveis fenomenológicos. Sem desvio de foco, mas à garantia de pontaria certeira no alvo, publica o seu primeiro livro de ficção, intitulado "2036: Uma jornada após a data limite" (2018). Nele se faz jus à citada arquitetura, como produto de sua criação. Consequentemente, a ficção elencada na obra não se moldura ao gênero popularmente prezada. Ela se dimensiona em realidades, perspectivas e projeções, tendo como alicerce os mundos dimensionais e os universos das realidades efêmeras, então, daí o conceito de "Nova Era".

Livro de ficção de Dalmo Duque: marco de sua arquitetura literária.

Na Estação do presente-do-futuro

Junte-se, ainda, a essa empreitada, a habilidade de se adaptar à evolução dos processos oportunos à documentação e pesquisa historiográficas. Contrariando a indisposição dos historiadores ao abandono dos domínios técnicos do passado, facilmente o aposentando se sentiu em apreço à leveza do teclado e desprezo à datilografia, bem como da conversa pessoal às postagens nas redes sociais. Profissional dos vestígios do passado com suporte da atualidade, jamais esteve no time dos últimos à adesão ou adaptação de um novo instrumental à metodologia da pesquisa histórica e à didática do exercício docente. Escritor com mais de uma dezena de livros publicados e apaixonado pela leitura na celulose ao status de blogueiro em popular rede social com milhares de seguidores, atraídos pelo encanto que seus textos com temáticas históricas regionais exercem à curiosidade leitora. Postagens em série temáticas sobre pessoas, famílias e ruas tem acrescentado outros leitores, com suas recordações, descoberta de detalhe histórico familiar ou ao conhecimento das origens de sua naturalidade. Sob recente domínio, tem empreendido seu entusiasmo na tarefa de devolução do colorido ao passado seu colorido natural, por vez retratada apenas pela retina em suas memórias ou pelo conhecimento apropriado da expressão de época, mas cristalizado na fotografia pelo preto no branco. Um feito próprio de seu ofício, porém na singularidade de sua curiosidade e de sua busca de tornar possível o que antes somente colore o pincel da imaginação. Não seria exagero afirmar, que é mais do que empolgação dele. Essa é sua mais nova especialização em prol da história: o tratamento de fotos do passado, tendo como suporte de colorizador digital das plataformas de Inteligência Artificial (IA). O resultado verifica-se nas postagens publicadas, nas quais a reprodução fotográfica colorida apresenta um nível de proximidade da realidade, que somente um historiador que alcançou alto nível de intelectualidade metódica é capaz de dar comando a programação da IA, a ponto dela espelhar a imagem racionalizada na imaginação da consciência histórica, evidenciando onde se encontra a superioridade de inteligência na artificialidade comandada ou no comando da inteligibilidade daquele que se projeta como individualidade pensante do passado como cultura histórica, no tempo e no espaço, evidencia-se ao olhar com lentes desembaçadas pela intelectualidade de apropriada ciência, que torna possível a artificialidade produtiva da IA em evidência do passado, não por apresentar os vestígios de sua realidade, mas por se definir como suporte tecnológico possível dada a sua ausência na origem do registro focal da cena: a gravação em cores na retina não era espelhada no papel, senão pela ausência do preto no branco. Relata o professor que após publicação de fotografia de recente vulto histórico da região, um familiar publicou relato de lembrança do ente querido em uso da vestimenta à semelhante da cena retratada e, enfim, como já expresso anteriormente, espelhava o registro de sua retina: o que viu, supreendentemente, agora observava. A fidelidade do registro histórico ao amador é reflexo da realidade. Ao historiador, ela é apenas vestígio, ou seja, parte dela. Por mais que o campo focal tenha gravado todos os detalhes do momento, a imagem é apenas reprodução da realidade: um vestígio, apesar do seu enorme senso realidade na memória.

À distante Estação do Futuro-do-Presente

O primeiro emprego do professor Dalmo Duque foi de entregador de remédio. Que não se tenha como mera coincidência, em razão de sua destinação em caminhar ao encontro de doentes à entrega de remédios. Antigamente se dizia sobre um suspeito de muitos crimes, que ele carregava muitas mortes nas costas, ou seja, o seu peso esmagador à própria vida da pessoa. Então, sem temeridade alguma dada à afirmação, do aposentando pode-se dizer que ele carrega muitas vidas no coração, para falar da leveza oferecida à vida que faz o bem ao próximo. Tendo sido informado que dentre a dupla missão de sua destinação estava a atuação no combate ao suicídio, à qual não foi negligente e nem ausente de empreendedora criatividade. Já como educador, foi um dos fundadores do Centro de Valorização à Vida (CVV), cujo objetivo era a prevenção de suicídio. Sua participação no CVV possui aspecto de mão dupla: o Centro oportuniza o cumprimento de sua missão e é ajudada na realização de seu objetivo por ele. Portanto, não é por acaso que mantem um engajamento efetivo na realização dos projetos do CVV, bem como proporciona suporte ao Centro como voluntário desde 1980. Por certo, não apenas através de sua disponibilidade como palestrante, mas por sua organização do memorial histórico do CVV, como se observa com a publicação da obra comemorativa a meio século de sua criação, intitulada "Como vai você? – CVV 50 anos, ouvindo pessoas". E, mais recentemente, com o lançamento da obra sob título "Ouvindo sentimentos: Estação Amizade e os 60 anos do CVV" (2021), com entrelaçamento da criação e atuação do Programa Estação Amizade (2016) à sexta década da fundação do Centro.

O Programa Estação Amizade foi criado para oportunizar mecanismo à comunidade escolar, visando a neutralização do desafio da "baleia azul", à época, em circulação na internet, à indução ao suicídio. O Estação Amizade utilizava-se da metologia de roda de conversa. Nela o participante recebia apoio emocional ao vivenciar a oportunidade da conversa amiga com os demais. Como projeto voltado à atuação do CVV, a conversa jamais envolvia conselhos ou terapia. No ano seguinte, com o lançamento do livro “Estação Amizade: Dez jovens lutando contra o suicídio” (2017), escrito em apenas uma semana pelo professor Dalmo, tem-se não apenas a literatura de referência, mas o componente de inserção do apoio emocional ao universo jovem, de forma a ocorrer sua transmissão através da mutualidade das suas interações.

Livro "Estação Amizade": uma semana de escrita às incontáveis delas em vida.

Com rodas de conversas inaugurais no Pinho, em atendimento à solicitação de gestores, o Estação Amizade foi experienciado em outras escolas da rede estadual de ensino do Estado de São Paulo na região, motivo que levou o Programa a ganhar o selo de "Boas Práticas" da Secretária de Educação do Estado de São Paulo (SEDUC/SP).

Palestra do professor Dalmo Duque sobre o Programa Estação Amizade.
Jovens estudantes, à roda de conversa, em comunicação de apoio emocional: "Eu por você e você por mim".
Estudantes participantes do Programa Estação Amizade Em visita à Pinacoteca em São Paulo, participantes (2018).

Rumo à Próxima Estação Amizade

A contemporaneidade perdeu um legado por demais significativo à formação dos pretendentes ao extraordinário na história da humanidade. Antes dela, verificava-se que a maioria dos grandes estiveram à sombra de um gigante da história, seja para o substituir por herança ou inspirado à sua vida e obra. Enquanto é sentido o tédio do sofrimento da ausência de líderes capazes de nos elevar ao cume do Everest da verdadeira inteireza de caráter, a mais poderosa força transformadora de anônimos em empreendedores do momento oportuno à decisão que tornará o futuro espaço de sua arquitetura humana à humanidade e do pequeno desejo à firmeza de espírito, ainda é exemplo de uma pessoa íntegra no curso de sua história. Àqueles que estiveram à sombra de um gigante, quando grande revelaram a causa de sua altitude, motivo por que se tem ciência disso. É possível que um dentre seus alunos, em quase três décadas de docência, levante-se e testemunhe que esteve à sombra de seu antigo professor e reconheça que, por isso, alcançou a grandeza pretendida.

Por ele mesmo, pela Estação Amizade

"— Está no seu aposento?" Iniciei conversa encaminhando mensagem utilizando-me de uma palavra homônima perfeita. Como pretendia realizar uma breve entrevista, é próprio ter ciência da disponibilidade ou o ambiente é propício ao empreendimento. No entanto, o momento era oportuno para indagar sobre a imersão do professor no devaneio do desejado ócio existencial. Dada à prontidão imediata em responder, segue, por ele mesmo:

Numa frase, sua filosofia de vida: — Servir ao próximo.

Numa palavra, o que realmente importa: — Evoluir.

Numa ação, o que expressa tudo: — Amar.

Perfil de pessoa admirável: — Pessoa amiga.

Pessoa que evitaria, mas não odiaria: — As indiferentes.

Definição de si mesmo como existência: — Sou um espírito em evolução.

Em olhar retrospectivo, tem como visão: — Olhando para trás vejo a História.

Expressão de seu grito de pleno desabafo à beira da praia: — Eu amo todo mundo.

Traria à mente como suspiro ou oração em total desalento da vida: — Oração do Pai Nosso.

Evento da história que gostaria de ter sido testemunha ocular: — De certo, de Guerra, passaria longe.

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Autor     Prof. J. A. Lucas Guimarães
É historiador, jornalista, escritor e professor efetivo da E. E. Margarida Pinho Rodrigues, com docência nas disciplinas de História e Língua Portuguesa, da qual é organizador do blog EducaPinho, para divulgação das ações culturais escolares à comunidade. 

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